O que a Bíblia, o Tao Te Ching, a Edda Nórdica e os mitos dos Orixás têm em comum?
Este ensaio propõe uma leitura radicalmente não confessional das escrituras sagradas: não como manuais morais ou códigos teológicos, mas como dispositivos simbólicos abertos que apontam para uma única função ontológica, para aquilo que sustenta o múltiplo sem dissolvê-lo em caos.
Partindo do conceito (original) de esquizofania (a ilusão civilizatória da separação entre sagrado e profano, humano e natureza), o autorquestiona a tradição institucional para recuperar a camada arcaica dos textos. Cristo é lido como função cósmica; Jesus, como máscara histórica necessária, mas não definitiva. A salvação deixa de ser fuga individual e torna-se reintegração ecológica do real. Violência bíblica, teodicéia e dualismo moral são reinterpretados como sintomas da cegueira perceptiva, não como mandatos divinos.
Esta obra é um exercício de honestidade intelectual. Dialoga com Paulo de Tarso, Apóstolo João, Hesíodo, a Edda em Prosa, Prandi e o Tao Te Ching para demonstrar uma verdade incômoda e libertadora: o corpo da totalidade do Real nunca se desfez: nós é que esquecemos como vê-lo.